O que é o "passé simple" e por que não usamos ele oralmente?
- Samanta Siqueira

- 30 de out.
- 2 min de leitura
Se tu já estuda francês, é possível que já tenha visto por aí o "passé simple"... Ainda não tinha ouvido falar? Então lê o texto até o final pra entender!
Sempre que ele aparece em aula, normalmente nos níveis mais avançados de língua ou em algum trecho literário, surge a mesma pergunta:
“Mas o que é essa conjugação? Passé simple? E por que os franceses não falam assim?”
Pois bem, o passé simple é um tempo verbal do modo indicativo que expressa ações pontuais e concluídas no passado, assim como o passé composé.
A diferença é que, enquanto o passé composé domina a língua oral, o passé simple sobrevive quase exclusivamente na escrita literária e histórica.
Um pouco da sua história
O passé simple tem raízes no latim clássico e por muito tempo o francês usava tanto o passé simple (então chamado de passé défini) quanto o passé composé, mas com sentidos diferentes:
o passé simple narrava ações distantes,
o passé composé indicava ações com ligação ao presente.
Com o tempo, e com a evolução da língua falada, o passé simple foi se afastando da oralidade.
A partir do século XVII, ele começou a ficar restrito à escrita formal e literária, usado em crônicas, romances e discursos históricos. Já no século XX, seu uso cotidiano praticamente desapareceu da fala, mesmo que ainda possamos o encontrar em alguns documentários ou discursos políticos.
Normalmente, ele é tido como o tempo dos narradores, aquele que dá um ar solene, distante, quase poético à narrativa.
Em textos literários, ele ajuda a marcar o ritmo e a distância entre o narrador e os acontecimentos:
“Il entra dans la pièce, regarda autour de lui et comprit qu’il était trop tard.”
Em português: “Ele entrou na sala, olhou ao redor e compreendeu que era tarde demais.”
Nada estranho, certo? Só que o francês moderno já não fala assim. Se fosse uma conversa, o francês diria:
“Il est entré, il a regardé, il a compris.”
Por que não usamos o passé simple oralmente?
O motivo é simples: a língua evolui.
O passé simple exigia muitas formas diferentes e difíceis de memorizar. Falar “je fus, tu fis, il vit” soa literário, distante, ou até... teatral.
Já o passé composé, com seu auxiliar (avoir ou être) e o particípio passado, se mostrou mais flexível e natural na fala.
Com o passar dos séculos, a forma composta substituiu a simples no uso oral.
E aí, curtiu saber disso?
Acho engraçado que muitos alunos, quando aprendem sobre o passé simple, preferem essa forma de passado, por se assemelhar mais com o nosso pretérito perfeito. Se ainda usássemos o passé simple, não precisaríamos aprender todas as regras dos auxiliares do passé composé e seus particípios, né...
E você é team passé composé ou team passé simple ? 😂
Referências



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